Seguro agrícola em Portugal: mais regras, menos intervenção?

Num artigo publicado no jornal Expresso, o economista Filipe Charters de Azevedo, presidente da Associação Portuguesa de Contribuintes, analisa de forma crítica o atual modelo...

Seguro agrícola em Portugal: mais regras, menos intervenção?

Num artigo publicado no jornal Expresso, o economista Filipe Charters de Azevedo, presidente da Associação Portuguesa de Contribuintes, analisa de forma crítica o atual modelo...

Num artigo publicado no jornal Expresso, o economista Filipe Charters de Azevedo, presidente da Associação Portuguesa de Contribuintes, analisa de forma crítica o atual modelo do seguro agrícola em Portugal.

A ideia de que o setor precisa de um resseguro europeu ou de mais apoio público está errada. O verdadeiro problema está no excesso de intervenção do Estado, que acaba por distorcer o funcionamento do mercado.

Apesar do Estado suportar grande parte do custo dos seguros agrícolas (com bonificações nos prémios), também impõe regras muito rígidas e pouco ajustadas à realidade. Isso traduz-se em:

  • Coberturas pouco realistas
  • Regras desatualizadas face à agricultura moderna
  • Falta de flexibilidade para inovação, como os seguros paramétricos
  • Processos complexos e pouco eficientes

Um dos pontos mais críticos é que, em alguns casos, o sistema cria incentivos errados: os agricultores pagam menos devido aos apoios, mas acabam por receber indemnizações com frequência, transformando o seguro num quase subsídio permanente, em vez de um mecanismo de proteção contra riscos.

Além disso, o próprio resseguro público já existe em Portugal, mas nem todas as seguradoras o utilizam, precisamente porque pode desincentivar uma análise rigorosa do risco.

Filipe Azevedo distingue ainda dois conceitos importantes:

  • Seguro agrícola: deve cobrir riscos normais e previsíveis
  • Fundo de calamidade: deve ser usado apenas em situações extremas e excecionais

Conclusão:
O problema não é falta de dinheiro, mas sim um sistema mal desenhado. Para funcionar melhor, o seguro agrícola em Portugal precisa de:

  • Regras mais simples e ajustadas
  • Maior liberdade para o mercado
  • Incentivos equilibrados para agricultores e seguradoras

Soluções existem — e passam por modernizar o setor, não por aumentar a dependência do Estado.


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